confessionário


O dia em que ele chegou

Já vai fazer 4 meses, mas, sempre que relembro, revivo toda a emoção daquele dia. Eu estava completando 37 semanas de gestação e aguardava a chegada do Vitor para dali a uma semana. A previsão médica e, portanto, os nossos planos eram de que ele viesse abençoado por São João, no dia 24 de junho deste ano.

 

Lembro que saí do trabalho na noite do dia 15 de junho, fui com meu marido ao supermercado fazer as compras da semana e também daquilo que seria necessário levar à maternidade, como absorventes de seio, material para a minha higiene pessoal, etc. Chegamos em casa perto das 22h, arrumei as compras, tudo lentamente, pois minha barriga estava muito grande e as minhas pernas estavam um tanto dormentes. A região próxima à virilha, entre as coxas, parecia estar anestesiada. Cansada, tomei um banho e fui dormir, porque no dia seguinte havia uma consulta marcada, a penúltima consulta antes do nascimento do nosso filho. De madrugada, como já era de costume, acordei umas 3 vezes para ir ao banheiro. O sono era grande e eu não reparei na minha urina.

 

Quinta-feira, 16 de junho. Pensei em ir cedinho ao consultório do meu obstetra, mas lá é sempre cheio, então preferi ir no fim da manhã, por volta das 11h. Fomos ansiosos, nem tínhamos almoçado, afinal, veríamos nosso bebê pela penúltima vez no ultrassom. Chegando lá, na breve conversa com meu médico, relatei o que havia sentido na noite anterior e ele exclamou: “Temos que fazer um exame de toque!”. Tremi, já tinha ouvido a má fama desse exame e, ó: DÓI muito! Mas era o jeito... Quando terminou, veio a notícia: “Você está em trabalho de parto, Dalva!”. Tremedeira, chororô, telefone, corre-corre, internação, soro na veia... Tudo pronto às 18h para o Vitor nascer de parto normal, faltavam apenas 2 centímetros de dilatação. Esperamos um pouco mais, mas o colo do útero continuava dilatado em 8 centímetros. A equipe médica preferiu não esperar, já que eu estava em trabalho de parto desde a madrugada. Lembram que eu disse que não reparei na urina? Pois é, havia um líquido mais denso, tipo um gel incolor, misturado à ela. A bolsa não rompeu, não houve dor, apenas umas pequenas contrações, semelhantes à cólica menstrual. E eu que achava que “entrar em trabalho de parto” era cena de novela! Enfim, fomos para a sala de cirurgia.

 

Lembro que toda a família foi para o hospital. Marido, tios, primos, irmãos, sobrinhos, cunhado e cuncunha, sogra, mãe... Era gente que não acabava mais, só pra ver o Vitor nascer. Vesti as roupas adequadas, meu marido também (que, aliás, ficou parecendo um dos médicos da equipe) e a cesariana começou. Depois de exatos 6 minutos do início da cirurgia, ouvi o anestesista anunciar “Prepara que ele tá nascendo!”. O choro já rolava desde antes, mas ficou mais intenso quando escutei isso... E mais intenso quando ouvi o choro berrado e imediato do nosso Vitão, tão forte, tão grande, chegando ao mundo! A pediatra que o recebeu trouxe ele pertinho de mim, senti um dedinho entrar na minha boca trêmula. E apaguei. Extasiada, mais feliz do que se pode supor, louca para ser MÃE!

 

Vitor completará 4 meses daqui a 12 dias. O pai dele e eu, também.



Escrito por Dalva de Moraes Rêgo às 16h05
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Brincar é tão bom!

Era madrugada do dia 17 de junho deste ano. Vitor havia completado 1 mês de vida, fizemos uma modesta comemoração em casa, para onde vieram parentes e amigos mais próximos. Depois que todos foram embora, vencemos o cansaço para acompanhar o despertar temporário do nosso filho e, claro, abrir os presentes que ele tinha recebido.

 

Um dos embrulhos era um pouco mais volumoso; curiosos, desembrulhamos e tamanha foi a surpresa! Não sabíamos que bichinho era: dinossauro, zebra, tigre... Ele é bastante colorido, tem as pernas longas e, na cabecinha, um dispositivo que faz zoadinha de chocalho. Muito fofinho, mas... “Como ele vai brincar com esse bichinho?”. Pais de primeira viagem e, ainda, sem muita criatividade, guardamos o presente para uma idade, digamos, mais oportuna.

 

Passou o segundo, o terceiro e aí, pertinho do quarto mês completo de vida, já “experts” em fazer gracinhas pro Vitor, lembramos daquele presentinho. Quem é pai e mãe sabe que os bebês começam a interagir mais com o mundo que os cerca nessa fase, mas, sozinhos, eles não descobrem nada, então... “Vamos brincar!”. Na primeira tentativa, pusemos o bichinho na frente dele, que o observou por minutos a fio, inerte. Na segunda vez, já esboçou uma curiosidade maior, até emitiu uns sons diferentes em “nenenês”, idioma que também estamos aprendendo. Até que resolvemos passar a dar voz e movimentos àquele bichinho, como se tivesse vida própria.

 

Demos um jeitinho de deixar o gatinho colorido (hoje chegamos à conclusão de que é um bichano) sempre por perto do Vitor, de preferência pendurado em um móbile sobre a cadeirinha que ele usa diariamente. Agora, quando o Vitor se mexe no balancinho, automaticamente o gatinho se sacode, e é tão engraçado ver o sorriso que nosso filho abre! Parece que conversa com o brinquedo!

 

E assim, brincando, estamos vivendo um dos momentos mais inesquecíveis e mágicos da nossa existência: a vidinha que pusemos no mundo agora aprende a usar as mãos, pega as patas do gatinho, puxa, leva à boca... Brincando, Vitor aperfeiçoa as habilidades naturais. Brincando, ele desafia a mente a conseguir o que deseja (nesse caso, pegar o gatinho). Brincando, ele e nós descobrimos que não existe idade para aprender algo novo, todos os dias, às vezes com a mesma brincadeira. E temos certeza de que isso será um aprendizado para a vida toda!



Escrito por Dalva de Moraes Rêgo às 15h29
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De presente

Faz um pouquinho mais de 7 meses que a vida me presenteou com um bálsamo de felicidade que atende pelo nome de Airson Cutrim. Nesta madrugada de terça-feira, pus-me a pensar no futuro como sendo o “resultado do presente”, como ele gosta de colocar, e não sei bem aonde fui parar com a minha imaginação. O fato é que, quando passei a refletir sobre o que será o resultado de mim daqui a alguns anos, foi inevitável não pensar neste que tem feito de mim hoje o melhor resultado de qualquer passado que fui, tenha sido imperfeito, perfeito ou mais-que-perfeito esse bendito pretérito.

 Como nós dois temos perfis no Orkut, pensei em depor sobre ele, deixar umas palavrinhas carinhosas que possam agradá-lo, dizer aos amigos dele e meus o que sinto e como o vejo, enfim. Comecei a esboçar meu raciocínio e, veja só, minhas “palavrinhas” somaram quase 3 mil caracteres. Lá, os depoimentos suportam somente até 1024 caracteres. Pois bem, cá estou. É neste espaço tão prezado que porei o sabor do meu desejo, a cor do meu romance.

E eu dizia mais ou menos assim...

 

Adiei o quanto pude este testemunho, mas cá estou. E esse, em especial, é meio assustador. Sempre que pensava em escrevê-lo, batia aquele medo de ser injusta, incompleta, afinal, deponho sobre alguém que muito amo! E nem essa palavra, desgastada pelo uso demasiado, parece conseguir sintetizar tudo o que tenho a dizer sobre ele.

Airson é um homem surpreendente! Como a Lua, tem a força de mover mares, mas uma suavidade, uma beleza, uma luz de inspirar poesias. É misterioso. Apesar de sempre ter nos lábios um sorriso gargalhado, de som inconfundível, assim como as mais belas espécies de flores, ele só concede aos seus admiradores mais astutos e pacientes o prazer de sentir, ao desabrochar de suas rubras pétalas, seu perfume inebriante, de enlevo tal qual o provocado por juras de amor sussurradas ao pé do ouvido.

Intuitivo, observador e perspicaz, Airson tem interesse pelo concreto, pela vida que pulsa nas veias, mas também pelo místico, pela vida que pulsa na imaginação. Interessa-se pelo sentido implícito das coisas, pela essência das pessoas. Politicamente correto, é incapaz de jogar sequer uma embalagem de bombom no chão.

Exaspera-se com os “poderosos” e suas guerras absurdas, sua ganância ilimitada, suas mentiras. É muito verdadeiro e sincero. Até faz uns rodeios, às vezes se utiliza de meias palavras, mas ele acaba falando o que pensa. Às vezes, isso chega a ser dolorido. Mas é bom, é edificante, é um exercício de auto-conhecimento conviver com alguém assim. Se não quiser ouvir a verdade, não o questione! Mentiras sinceras não o interessam.

É sim cabeça dura e muito determinado; por vezes, beira o autoritarismo. Quando põe algo na mente, geralmente consegue o que quer. Gosta de ter tudo sob controle, por mais que isso nem sempre aconteça. É confiável. Sabe guardar segredos. É fiel. Cumpre as promessas que faz. É confiante. Mas não o traia, ou ele provavelmente não voltará a confiar em você, e é um tremendo desperdício perder uma amizade como a dele.

Eu o amo, e sei que isso nós dois somos capazes de sentir, em corpo ou em espírito!



Escrito por Dalva de Moraes Rêgo às 19h43
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Breve ensaio sobre a maldade humana

Já é quase manhã de sábado e uma certa insônia se instalou por aqui. Não consigo dormir, mesmo depois de minhas orações. Não consigo fechar os olhos sem que, de repente, umas estranhezas invadam meu pensamento. Sendo assim, vim dar “olá” e, claro, compartilhar uma aflição. Espero que, ao final, mais leve, consiga dormir em paz.

Estava ali deitada, quase fritando tal qual carne de hambúrguer, quando dois personagens vieram à memória: Santo Agostinho e Jean-Jacques Rousseau. Santo Agostinho, lá no século IV, pregava: todo homem nasce mau, viciado pelo pecado original. Centenas de anos depois, o pensador francês Jean-Jacques Rosseau discordou do cristão e reorganizou as palavras. Para Rousseau, "o homem nasce bom e a sociedade o corrompe". Das afirmações que se repelem, surge a minha inquietação: afinal, qual dos dois estava certo?

Não sei como nasce o ser humano, se bom ou mau, mas uma coisa é certa: todo ser humano tem dentro de si espaço para a bondade e para a maldade. Isso, sinceramente, nem me espanta. O que me deixa chocada é a forma da maldade se manifestar e o que ela pode causar.

Na noite desta sexta-feira, senti-me alvejada pela dita-cuja. A maldade se personalizou, ganhou voz de mulher e pele de cordeiro. Chegou de mansinho, como se não fosse ser percebida. Plantou a semente da discórdia entre duas pessoas que se dizem amar. Como conseqüência, engessou sentimentos, gerou dúvidas, tentou tirar a paz e a tranqüilidade e, obviamente, tornou-me insone.

Lágrimas, incertezas, lágrimas, lamentos, lágrimas, choque. Sim, já disse antes e repito:o que me choca é a forma da maldade, a maneira como ela se manifesta.

Depois de muito pensar, acho que consegui encontrar uma explicação para o que ocorre na mente da pessoa má que, nesta sexta-feira, atasanou-me o espírito. Creio, pessoalmente, que Maldade e Roubo são irmãos gêmeos siameses. Quando recebem a visita da prima Mentira, o inferno faz festa. É fato que todo ladrão mente e quase todo mentiroso rouba. A mentira e o roubo seriam, portanto, faces de uma moeda viciada, fases de um ciclo vicioso.

Sabe quando os índios Tupinambás, em seu festim canibalístico, imaginavam adquirir as qualidades dos inimigos que devoravam? Para mim, é exatamente isso o que quer o larápio quando rouba. Ele não busca simplesmente um objeto, mas as qualidades que a pessoa lesada possui. Outra coisa: quando o larápio mente, rouba do outro a percepção da realidade, a consciência. É a mesma compulsão. Coitado...! Por ter entranhado na alma um eterno sentimento de menos-valia, esse ladrão sofre as aflições da inveja diuturnamente.

Sinceramente, parece é que o que motiva o roubo e a mentira são mesmo as carências da alma. Pessoas espiritualmente pobres, sem fé, com baixa auto-estima, sentimento de inferioridade... Tudo ladrão em potencial: ladrão de objetos, talvez. Mas pior que isso, ladrão de sorrisos.

Com licença, agora vou tentar dormir.



Escrito por Dalva de Moraes Rêgo às 03h54
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Sobre músicas e desejos

Já fez um mês. No dia 7 de janeiro, o cinéfilo Brenno Bezerra presenteou-me com um MEME sobre música. A ideia é tentar mostrar quem eu sou (ou quem estou) por meio de uma seleção de 13 músicas. Passou-se bastante tempo, eu sei, e já peço desculpas ao meu amigo, mas não poderia deixar passar a oportunidade de compartilhar e, mais que isso, superar o desafio de reunir as composições que mais me tocam/emocionam/divertem em um só espaço.

Só lembrando: a lista a seguir obedece a uma ordem alfabética (nome do artista); vamos evitar as "injustiças hierárquicas", né? Outra: estas são as eleitas do momento atual, que fique consignado.

Então, vamos lá!

COMO DOIS ANIMAIS
Alceu Valença
Dá vontade de apreciar a lua cheia à beira de qualquer mar quente.

QUELQ'UN M'A DIT - ALGUÉM ME DISSE
Carla Bruni
Dá vontade de namorar em Paris, com frio, e, entre um gole e outro de um bom vinho francês, conservado em barris de carvalho, dizer "eu te amo".

O MUNDO É UM MOINHO
Cartola
Dá um desejo estranho de ter visto o momento de minha própria concepção: meus genitores em um ato enlouquecido de amor, um gozo fantástico, uma fecundação... Essa lembra meus pais.

SE ME CHAMAR, EU VOU
Chiclete com Banana
Ah, aqui é a saudade que bate dos tempos idos... Quem nunca foi a um Marafolia levanta a mão! Quem nunca cantarolou ou dançou um axé levanta as duas!

CONSTRUÇÃO
Chico Buarque

Dá vontade de abraçar, admirada, o próprio Chico, genial que só ele. Já perceberam que todas as últimas palavras de cada verso são proparoxítonas?

RODA VIVA
Chico Buarque
De Chico, não dava pra ser só uma. Essa me faz querer ter vindo ao mundo uma década antes do meu nascimento.

ME DEIXAS LOUCA
Elis Regina

Essa exala paixão: da licença poética concedida à próclise do título até a voz ofegante e semi-embaçada da maior intérprete de todos os tempos. Vontade de tomar uma cervejinha...

PAÍS TROPICAL
Jorge Benjor

Fala sério! Vontade absurda de voltar ao Rio de Janeiro! Cheiro do Leblon, clima da Lapa, brisa do Arpoador... Jorge Benjor e Monobloco... Ai, eu quero!

GLORY BOX
Portishead
Hmmm... Desejo, desejo, desejo... Experimente fazer amor ouvindo essa música... Depois me diga!

CAROLINA CAROL BELA
Toquinho

Dá vontade de bebericar no bar do Léo, falando besteira.

ESPERANDO AVIÕES
Vander Lee
Bate uma nostalgia! Sabe, daquelas boas?!

CORRO CONTRA O TEMPO
Vander Lee
É... Saudade. Mais uma do mineirinho pra prateleira das recomendáveis pros momentos de fossa.

EU SEI QUE VOU TE AMAR - SONETO DE FIDELIDADE
Vinícius de Moraes
Essa? Uma baita vontade de chorar! Ah, o amor... O amor e suas emoções...

 

MEME repassado para:
MAO
Marcos Fábio
Josimar Melo
Góis Júnior
Suzana Beckman



Escrito por Dalva de Moraes Rêgo às 05h08
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