confessionário


AUTO-(IN)DEFINIÇÃO

se fosse som, seria o de Debussy

se cores, as de Monet

se palavra, penumbra

porque palavra viva

palavra boa mesmo

é a sussurrada

quando as mãos precisam tatear

o que os olhos não conseguem enxergar

tão bem

 



Escrito por Dalva de Moraes Rêgo às 02h17
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CHORÕES

se eu rio

você vem de além-mar

e, num breve chorinho,

faz-me chorar



Escrito por Dalva de Moraes Rêgo às 02h46
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De presente em presente...

MEDIEVAL: ÉPICO NÚMERO II
(por Ivan Pessoa Jorge)

Donzela, o céu é tamanho que para contá-lo,
prefira o silêncio e o olhar distante,
que tamanho por demais olhá-lo,
o céu se torna o teu olhar, senão insinuante,
que colhe à proporção da vida, o encanto,
Não sabes tu, que és o que olhas, olhar sacrossanto?

Pois, saibas tu, que assim o é, olhai para mim,
e veja-me o espelho que te enquadras a face,
que te revelas bela, infinita, outrossim,
como se no amanhã Deus revelasse,
que o Sol, a manhã, e teu olhar de milhas, olhar convexo,
é senão, a natureza do próprio Deus em teu reflexo (...)



Escrito por Dalva de Moraes Rêgo às 20h07
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Dê poemas de presente! Esse eu ganhei...

UNS LÁBIOS
(pelo quase heterônimo Joaquim Maria Machado de Assis)

não sei
em que me baseio
no que vi
no que anseio

a volúpia
o desejo
o ardor
o beijo...

o que faz a tua boca
tão perfeita?

a forma
a textura
o asseio?

o batom vermelho
o entreabrir-se distraída
enquanto
absorvida
você fala ao celular?

Não sei!

Nos teus olhos
Submerjo
me afogo
me perco...

mas teus lábios
me acariciam
os pensamentos
mais ousados

e me dizem:
nesses sonhos
nos encontraremos
acordados...



Escrito por Dalva de Moraes Rêgo às 23h33
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Era pra ter sido uma segunda-feira feliz

Nas primeiras horas do dia, a felicidade existia. E existiu durante toda a manhã. Mas ao meio dia, no exato momento em que os dois ponteiros do relógio apontam para o céu, ironicamente a felicidade deixou de existir.

Foi por meio de um telefonema que chegou a notícia, a trágica notícia de que a felicidade havia ido embora. Assim, na hora do almoço, comida engasgando a garganta seca e já infeliz. Um banho de lágrimas no rosto pálido. Um soluço. Um adeus.

No mundo das injustiças, injusto mesmo foi perder o Formiga. Injusto pela dor que sentimos, inacabável, inexplicável. Injusto pelo que o Formiga deixou.

Não é correto, não é. Não é certo. Eu nunca vou esquecê-lo. Nunca vou esquecer das produções mais quentes e das brincadeiras mais "sensacionais" (poxa, isso era do Formiga!). Nunca vou esquecer das palavras ditas sempre nos momentos mais oportunos, acompanhadas de um balançar de cabeça que só ele sabia fazer. Ele dizia "sim" e a cabeça com aquele cabelinho sempre no gel logo sinalizava que "sim", pra cima e pra baixo, rapidinho...

Nunca vou esquecer o socorro rápido num sábado à tarde, quando o Formiga, no dia da formatura do irmão dele, acompanhou-me até o hospital e, muitas horas depois, foi me buscar, já à noite, todo preocupado com a minha saúde. Ele iria se atrasar para a festa do próprio irmão, mas, como ele dizia, não tinha problema.

E não devia ter mesmo. Problema o Formiguinha nunca arranjou. Nunca até hoje, quando resolveu deixar aqui gente que hoje sofre e chora, especialmente, quando se dá conta da insubstituição do jovem rapaz de 27 anos que, no momento em que os ponteiros do relógio apontavam para o céu, seguiu a direção e, talvez querendo voar, talvez querendo registrar o que só ele sabia que tinha importância, foi embora.

Mas não tem jeito. Nunca vou esquecer que essa deveria ter sido uma segunda-feira feliz...

 ____________________ X _____________________

Morre o jornalista Fernando Formiga

SÃO LUÍS - O jornalista Fernando Cardoso Ferreira, 27 anos, morreu nesta tarde, ao cair do último andar do prédio onde residia, edifício Cezanne, na avenida Daniel La Touche, bairro do Olho d´Água.

Segundo informações, o jornalista subiu na cobertura do prédio onde morava para tirar fotos e acabou escorregando do último andar. Fernando teve morte instantânea. Atualmente, ele trabalhava como redator do Portal Imirante.com e era chefe da Assessoria de Comunicação do Ministério Público Estadual. Ele também trabalhou como produtor na Rádio Mirante AM e na TV Mirante.

O velório do jornalista Fernando Formiga vai acontecer na Igreja Nossa Senhora da Paz, no Parque Shalon. O enterro está marcado para o Cemitério do Gavião, às 10h desta terça-feira (13).

Fontes: Imirante.com e Rádio Mirante AM



Escrito por Dalva de Moraes Rêgo às 17h38
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